sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O país investe uma porcentagem considerável do PIB, mas o gasto por aluno ainda é muito baixo.

https://novaescola.org.br/conteudo/6760/o-que-responder-quando-disserem-que-o-brasil-gasta-muito-com-educacao

O que responder quando disserem que o Brasil gasta muito com Educação?

O país investe uma porcentagem considerável do PIB, mas o gasto por aluno ainda é muito baixo. Entenda
Por: Caroline Monteiro
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil
Mais de 5% de todas as riquezas produzidas no Brasil vão para a Educação. Esse número pode impressionar, e muitas vezes é usado por quem defende que o Estado já gasta o bastante nessa área. O argumento é reforçado por comparação. Afinal, outros países em desenvolvimento, como Argentina (4,9%), Chile (4,0%), Colômbia (4,2%) e México (4,6%), gastam proporcionalmente menos que o Brasil e um deles, o Chile, vai muito melhor do que o nosso país nas pesquisas internacionais. É um argumento forte e reforça a necessidade de melhorarmos a gestão do dinheiro que vai para a educação. Porém, ele pode e deve ser relativizado - sobretudo após a divulgação do estudo Education at a Glance, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A entidade é formada por 35 países — a maioria desenvolvidos e com alto PIB per capita — e procura levantar informações para a comparação de políticas públicas. O Brasil não é membro da OCDE, mas é convidado para alguns dos estudos, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Esses relatórios são importantes para comparar diversos aspectos econômicos e sociais brasileiros com o de países desenvolvidos e com outras nações em desenvolvimento.
No Education at a Glance 2017, a OCDE mostrou como o percentual do PIB destinado à área pelo Brasil não é dos piores, mas apontou o problema no gasto por estudante. O país investe apenas 5,6 mil dólares por ano por aluno da Educação Básica (ou cerca de 466 dólares mensais), enquanto a média das demais nações avaliadas pelo relatório é de 10,8 mil dólares (ou 33,6 mil reais). Esse valor inclui 1) salário e formação de professores 2) material e infraestrutura 3) políticas públicas para atrair novos docentes e 4) medidas para diminuir o número de alunos por sala.
Aqui, na NOVA ESCOLA, nós acreditamos que os professores devem participar do debate público. Quem conhece a sala de aula tem plenas condições, quando bem preparado, de debater com políticos e técnicos das secretarias de ensino. Ao olhar o relatório, nós pensamos em perguntas que você provavelmente já ouviu, E, com dados desse estudo, mostramos que respostas você pode dar sempre que alguém te disser "o Brasil gasta muito em educação". Esperamos que seja útil.
Arte: Alice Vasconcellos
O Brasil gasta muito em Educação?
Não. Mas antes, vamos entender o que o dado significa. O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todas as riquezas produzidas por um país, mas é apenas um valor de referência, que considera o setor público e privado. Não existe um cofre ou conta bancária onde “o dinheiro do PIB” fica guardado. Então, dizer que parte do PIB é investido em algum setor serve apenas para comparar a soma monetária de quanto o país produz em bens e serviços com o quanto o governo envia para a Educação (e esse dinheiro vem, principalmente, da arrecadação de impostos, não do lucro de alguma produção).
Apesar de investirmos uma porcentagem relativamente alta do PIB, maior do que a de outros países, isso não significa que estamos gastando muito. A comprovação vem do dado que mostra quanto o país gasta com cada aluno. Primeiro, é preciso considerar que o PIB do Brasil não é tão grande se for considerado o tamanho da população e a crise econômica atual. O valor total, de 1,796 trilhão de dólares, dividido pelos 207,7 milhões de habitantes, gera um PIB por pessoa de 8.649,95 dólares. O da Rússia é 8,7 mil; da Argentina, 12,5 mil; do Chile, 13,8 mil; e do Uruguai, 15,2 mil.
Segundo Marcelino Rezende, especialista em financiamento da Educação e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, soma-se a isso o fato de que o PIB brasileiro está escolhendo (redução de 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016). “A porcentagem do PIB é apenas um índice e não reflete o quanto chega aos alunos. Como o PIB está reduzindo, se continuarmos gastando a mesma quantidade de dinheiro, daqui um ano vai parecer que investimos mais, porque a porcentagem vai aumentar, mas não é essa a realidade.”
Outra análise é a da dívida histórica que temos com a Educação brasileira. De acordo com Pilar Lacerda, ex-secretária nacional de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) e diretora da Fundação SM, que trabalha para fortalecer a Educação pública, enquanto os países desenvolvidos gastavam entre 6% e 7% do PIB com o setor educacional, o Brasil destinava apenas 3%.
Por que o percentual do PIB e o gasto por aluno apontam resultados tão discrepantes?
A discrepância entre a porcentagem do PIB e o gasto por aluno é elevada devido ao grande número de estudantes. Segundo Pilar, são 42 milhões de alunos na Educação Básica, somados aos adultos que precisam da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e também a parte da população que não é alfabetizada. “Às vezes, temos um orçamento que parece alto, mas não é. O valor que pode ser suficiente para uma cidade desenvolvida do interior de São Paulo é insuficiente para municípios como Manaus, por exemplo, que tem especificidades devido à existência de escolas ribeirinhas, rurais e urbanas, que exigem transporte e regime de trabalho diferenciados, sob um mesmo orçamento”, explica Pilar.
É preciso notar ainda que o gasto por aluno só leva em consideração as despesas das instituições educacionais, enquanto o investimento como percentual do PIB considera também as despesas relacionadas à Educação que não vão diretamente para a qualidade educacional, como bolsas de ajuda de custo que o governo dá diretamente para o aluno.
Arte: Alice Vasconcellos
Tudo bem. Nós investimos pouco em Educação, mas a gestão não ajuda, certo?
Correto. Falta, em muitas secretarias, conhecimento técnico para administrar o dinheiro. É comum escolas receberem todo o recurso para o ano letivo apenas em novembro, por exemplo. “Aí a escola não pode gastar por gastar, para constar nos números. Aquele dinheiro fica sem destino e parece que está sobrando”, diz Pilar.
E se diminuirmos a corrupção, teremos mais dinheiro para a Educação?
Sim, mas não tanto quanto parece. Na Educação, a corrupção atinge uma porcentagem pequena, segundo Marcelino. Não há dados oficiais sobre corrupção no setor, mas Marcelino estima um desvio de 2% do orçamento. É uma área que abre menos espaço para desvio de recurso público porque grande parte tem destino certo, como a folha de pagamento. “De acordo com o Fundeb, 60% do dinheiro é para pagamento de professor. Bem ou mal, já é um recurso carimbado, destinado a um uso específico”, explica Pilar.
Mas, apesar de ser uma porcentagem pequena, há espaço, sim, para corrupção. Como 90% da verba de Educação Básica é destinada à folha de pagamento (de professores e funcionários), há brecha para a contratação de pessoas por interesse político. Os outros dois focos de corrupção, segundo Marcelino, são os serviços terceirizados de merenda, transporte escolar e material didático, além das obras. E, quando falta dinheiro, todo recurso importa.
Isso pode piorar com o teto de gastos na Educação?
Sim. A PEC do Teto de Gastos, promulgada em dezembro de 2016, limita os gastos públicos de um ano ao que foi gasto no ano anterior. Por exemplo, em 2018 só será possível gastar com saúde e Educação a mesma quantidade que foi gasta em 2017, corrigido pela inflação. “A PEC que congela os gastos públicos passará a ser sentida a partir do ano que vem e, como viemos de um cenário de recessão econômica, as previsões não são boas”, diz Marcelino.
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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Jogos e dinâmicas no ensino como prevenção de indisciplina

“Quem é sábio, ensina grandes verdades de maneira simples e agradável.” Pv 15.2a (B Viva)

 Ser sábio e ensinar de maneira simples e agradável são alvos de todos aqueles que amam o ensino. Assim era o ensino de Jesus. O mestre atraía as multidões, “ninguém jamais falou como aquele homem” (Jo 7.46). Jesus deixava a multidão maravilhada com seu ensino (Mc 11.18b). A grande multidão o ouvia com prazer e admiração (Mc 12.37b; 6.2). Mas, como era esse ensino?
O ensino de Jesus era a encarnação de Pv 15.2 pois, suas palavras sábias tornavam o ensino atraente.( Ver na Bíblia na Linguagem de Hoje) Jesus ensinava envolvendo, levando as pessoas a experimentarem as verdades que apresentava. (Lucas 9.10-17; 10.1-12, 28,36,37; Mt 14.22-36). O Mestre ensinava encantando e com autoridade (Mc 1.21, 22); pois sempre fazia o que agrada ao Pai e falava exatamente o que o Pai lhe ensinou (Jo 8,28,29). Era seu costume ensinar (Mc 10.1). Seu ensino vinha de Deus, sua motivação era a glória do Pai (Jo 7.16).
A maneira de ensinar do Mestre permite ao aprendiz participar para esclarecer, assimilar e dar sentido às informações e idéias que estão sendo estudadas. É aquele ensino descrito em Dt 6.7.
Com um Mestre assim, quem tinha tempo para fazer “bagunça”? Suas palavras eram atraentes, seu ensino dinâmico envolvia as pessoas, não havia espaço para indisciplina. Precisamos aprender com nosso Mestre.
“Os métodos empregados por Jesus formaram um  marcante contraste com os que estavam em uso nos Seus dias. Quando se passava da aula dos Rabinos para a aula de Jesus ‘a transição era como passar de um sótão antigo e poeirento que há meses não foi arejado, para a atmosfera brilhante e fresca de uma límpida manhã de primavera,’ (Mckoy, C. F. A arte de Jesus como Mestre. P.33). Tal experiência, tão nova, e tão revigorante, reflete não apenas o conteúdo dos ensinos como também os métodos empregados. Indica, outrossim, a qualidade suprema do próprio Mestre, um professor que não deve ser comparado com Seus contemporâneos, e, sim, contrastado com eles.” (Hurst, p 83).
Precisamos aprender com nosso Mestre...

Mudar o jeito de ensinar não é fácil nem rápido, mas é absolutamente urgente e necessário para não ficar para trás no novo milênio.” (Nova Escola,dez/2000. p.14) Sabemos que a escola precisa mudar, e de fato, o ensino está mudando. Com ele o conceito de disciplina também mudou. Se antigamente disciplina equivalia ao silêncio absoluto, a disciplina desejada hoje é a do interesse e da participação. Para isto, pressupõe-se, da parte do aluno, valores éticos anteriores à  escolarização:  entendimento de regras comuns, partilha de responsabilidades, cooperação, reciprocidade, solidariedade, etc.  E, acima de tudo, reconhecimento dos direitos do outro, sem o que fica impossível a convivência em grupo.

Os jogos e dinâmicas atendem a essas mudanças e necessidades na educação. Podemos ensinar quase tudo por meio dos jogos. As dinâmicas envolvem, tornando a aprendizagem  agradável. “Se gosto, aprendo.” É um jeito de ensinar e aprender fascinante e surpreendente, envolve até os mais displicentes. O espaço para indisciplina se torna inviável, desde que todos estejam ocupados de alguma forma. Isto não significa, silêncio absoluto sempre, mas sim, um som de aprendizagem e envolvimento no ar.
Em momento algum sugiro que os jogos e dinâmicas ocupem o lugar de uma variedade de procedimentos didáticos, como as aulas expositivas, por exemplo, variedade esta necessária e enriquecedora. O que afirmo são as qualidades evidentes deste recurso de ensino e as possibilidades de seu uso para construção do conhecimento e desenvolvimentos de valores e atitudes.
Em seu livro Kirby  diz que “o princípio que baseia o uso de jogos no ensino é que os participantes aprendem melhor fazendo do que lendo, ouvindo ou observando. Para o treinamento voltado para modificação do comportamento e atitude, o aprendizado ativo definitivamente precisa ser incentivado. Qualquer treinamento ou  ensino pode ser beneficiado de jogos. A recompensa do uso de jogos é que o instrutor pode usá-lo para tornar uma experiência tão agradável quanto útil.”
 Que possamos evoluir no ensino de forma a conquistar o que Monteiro Lobato há muito nos desafiou:“A brincadeira é forma superior de educação”.

Por: Alexandra Guerra - http://alexaguerra.blogspot.com.br/

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Dez princípios para as crianças crescerem felizes e bem sucedidas

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Dez princípios para as crianças crescerem felizes e bem sucedidas
Às vezes me assusto com o poder que é dado aos pais e educadores.  Estamos semeando em vidas! Gosto de semear princípios, pois eles são as fontes que movem nossas ações. Princípios são valores que, se semeados na primeira época da vida, direcionam o desenvolvimento posterior, num ciclo de vida...  Princípios não morrem, são como sementes.  Às vezes parecem que morreram, mas estão adormecidas, debaixo da terra, e um dia brotam, é claro que dependem das condições necessárias para romper a terra. Assim é com os bebes, tudo é novo para eles e para as crianças pequenas, até que alguém lhes apresente: A maneira de ver as formigas, as flores, uma galinha e até uma barata, dependem de como estas lhes são apresentadas. Na Corea do Sul, por exemplo, as crianças vêem os cachorros como uma possível refeição, eu não posso nem pensar em comer meu cachorrinho! Isto também ocorre com a maneira de lidar com o amor, o erro, a dor, a alegria, enfim, com a vida... A maneira de lidar com a vida vai depender das sementes que foram plantadas na infância, do tipo de solo e das condições que elas tem para se desenvolver. É isto o que me assusta, é muita responsabilidade e também uma grande oportunidade que as pessoas que cuidam de crianças têm. Princípios são sementes. Que sementes você tem lançado?

Dez princípios para as crianças crescerem felizes e bem sucedidas

Princípio nº.1: Os pais são os responsáveis pela educação das crianças. Ef6.4 e Dt 6.7.
Princípio nº. 2: Apascente o coração das crianças que estão sob sua responsabilidade. Jo 21.15.
Princípio nº. 3: Ame as crianças, incondicionalmente. 1Jo 4.7-20.
Princípio nº. 4: Dê liberdade e limites com equilíbrio. 2Tm 1.7.
Princípio nº. 5: Discipline-as quando necessário, usando os métodos adequados a cada ocasião; isto é estabelecer limites. Pr 6.23.
Princípio nº. 6: Desenvolva o pensamento e a capacidade de tomar decisões fundamentadas nos princípios de Deus; isto é dar liberdade. Tg 1.25.
Princípio nº. 7: Quando caírem ensine-as a levantarem de novo e a aprender com os erros. Salmo 37.24.
Princípio nº. 8: Atenda as necessidades de cada etapa do crescimento. Lucas 2.52.
Princípio nº. 9: Seja o exemplo que elas procuram. 1Co 11.1.
Princípio nº. 10: Crianças são flechas, eduque-as para serem lançadas na vida e acertarem o alvo. Sl 127.3-5 e Rm 8.29.

          A maior força da educação está em nosso exemplo e nas pequenas coisas, nos gestos e nas palavras do dia-a-dia, onde às vezes não percebemos, pois educar é se relacionar com o outro, e isto acontece na maioria das vezes de maneira informal. Aproveite cada minuto na presença de suas crianças e das pessoas que são preciosas para você! Ame-as e demonstre esse amor. Já que nosso tempo é tão curto e tão precioso aproveite cada minuto da vida para amar mais e se deleitar em seu jardim, pois um jardineiro cuida de seu jardim pelo prazer que tem de estar nele, de ver seus frutos e flores por vir, de sentir os perfumes que ele exala...
 A tarefa não é fácil, mas acredite, vale a pena investir em crianças! 

Texto de Alexandra Guerra extraído de seu livro "Infância, o Melhor Tempo para Semear." Editora Betânia.

Blog: alexaguerra.blogspot.com

quarta-feira, 28 de junho de 2017

"Lutamos por justiça e não por lucro" U2


Tradução
Terra de Van Diemen
Abrace-me agora, oh abrace-me agora
Até a hora acabar
E eu vou embora, na maré cheia
Para enfrentar a terra de Van Diemen

É uma pílula amarga e eu a engulo aqui
Para ser cobrada por alguém tão querido
Lutamos por justiça e não por lucro
Mas o magistrado me mandou embora

Abrace-me agora, oh abrace-me agora
Até a hora acabar
E eu vou embora, na maré cheia
Para enfrentar a terra de Van Diemen

Agora os reis dominarão e os pobres penarãoCorrigir
E rasgar suas mãos como eles rasgam o solo
Mas um dia chegará nesta nova era
Quando um homem honesto verá um salário justo

Abrace-me agora, oh abrace-me agora
Até a hora acabar
E eu vou embora, na maré cheia
Para enfrentar a terra de Van Diemen




https://www.vagalume.com.br/u2/van-diemens-land-terra-de-van-diemen.html

sábado, 24 de junho de 2017

Sobre avaliação, fracasso escolar e desigualdade social

Sobre avaliação, fracasso escolar e desigualdade social: Para que a acolhida das diferenças por meio dos processos avaliativos escolares seja democrática e não excludente ela deve começar pelos: concursos públicos, processos seletivos, vestibulares, ENEM e aí sim chegar à escola. Se as mudanças nos processos avaliativos iniciarem  e permanecerem apenas na escola irão aumentar ainda mais a exclusão social; tornando a diferença uma deficiência, ampliando ainda mais as chances dos privilegiados que se preparam cada vez mais para estas avaliações. Minha inquietação é: até que ponto adequar o currículo e os processos avaliativos às realidades dos mais pobres e menos favorecidos vai afastá-los das chances de progressão na vida por meio dos estudos e concursos avaliativos? 

sábado, 10 de junho de 2017

14 Grandes Autores Para Crianças

14 Grandes Autores Para Crianças

Que tal dar uma forcinha extra para seu filho tomar gosto pela leitura apresentando-o a textos de autores consagrados?
Há bons exemplos de escritores que, depois de se consolidarem na literatura adulta, enveredaram pela infantil.
Caso da mineira Adélia Prado, que, em 2006, fez sua estreia com o livro para crianças Quando Eu Era Pequena e lança, em setembro, seu segundo título infantil, Carmela Vai à Escola.
O peruano Mario Vargas Llosa, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2010, é outro que, após uma carreira premiada, resolveu se aventurar a escrever para crianças, tarefa que ele classificou em entrevistas de “mais difícil” do que escrever para adultos. Fonchito e a Lua, é seu primeiro título para o público infantil.
E esse não é uma fenômeno recente. As prateleiras das livrarias estão recheadas de livros feitos para os pequenos por nomes estrelados da literatura brasileira e estrangeira.“Há ainda casos de escritores que, apesar de nunca terem produzido para as crianças, tiveram trechos de suas obras “reendereçadas” para os pequenos, em edições com ilustrações caprichadas para prender a atenção dos pequenos leitores”, diz João Luís Ceccantini, professor de literatura brasileira da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Assis, no interior de São Paulo.
Caso de Dez Bons Conselhos de Meu Pai, de João Ubaldo Ribeiro, outro título lançado no primeiro semestre. A obra, na verdade, era o apêndice de um livro sobre política que o autor baiano escreveu há 30 anos.
Mesmo esses autores tendo valor literário indiscutível não vale impor esses livros como única possibilidade de leitura para as crianças. “O leitor se forma na diversidade”, alerta o o professor Ceccatini. Confira a seguir sugestões de livros de importantes escritores:
1. Adélia Prado
A infância da menina Carmela em uma cidade pequena é o fio condutor da história. Já os pais terão a sensação de estar lendo as memórias da autora.
Carmela está de volta, mas agora tendo como cenário a escola. Apaixonada por livros e muito estudiosa, é também muito faladeira e até troca de lugar com a melhor amiga.
Ilustrações: Elizabeth Teixeira
2. Mario vargas Llosa
Fonchito e a Lua (Objetiva)
O menino Fonchito é apaixonado pela colega Nereida. Um dia, enche-se de coragem e pede a ela um beijo no rosto. A menina o desafia a trazer a Lua em troca do gesto.
Ilustrações: Marta Chicote Juiz
3. João Ubaldo Ribeiro
“Não seja amargo”, “Não seja burro” e “Nunca seja medroso” são alguns dos conselhos que o autor recebeu de seu pai e coloca nessa obra.
Ilustrações: Bruna Assis Brasil

4. Clarice Lispector
Joãozinho é um coelho de pêlo branquinho que, quando a fome aperta, dá um jeito de abrir sua gaiola e sair em busca de comida. Nessas saídas, pega gosto pela liberdade.
Ilustrações: Flor Opazo
5. Érico Veríssimo
Preocupado com a desobediência do filho, Fernando, seu pai lhe dá de presente um livro. O menino se encanta com a história do Capitão Tormenta que viaja o mundo em um avião vermelho. Quando Fernando ganha um aviãozinho, está armado o cenário para muitas aventuras.
Ilustrações: Eva Furnari

6. Pablo Neruda
“Por que o tubarão não ataca as impávidas sereias?” e “A fumaça fala com as nuvens?” são duas das 74 perguntas fora do comum do livro do poeta chileno, que faz o leitor criança ou adulto refletir.
Ilustrações: Isidro Ferrer
7. Manoel de Barros
Poeminha em Língua de Brincar (Record)
Um dos livros da produção infantil do poeta mato-grossense, iniciada a partir de 2000. Na obra, palavras e ilustrações, criadas pela ilustradora filha do escritor, criam um mundo cheio de simbologias.
Ilustrações: Martha Barros

8. Mário de Andrade
Será o Benedito? (Cosac Naif)
A construção de uma relação de amizade entre um homem vindo da cidade grande e um menino de 13 anos que vive na Fazenda Larga, no interior de São Paulo, é o tema desse livro.
Ilustrações: Odilon Moraes
9. José Saramago
O Silêncio da Água (Companhia das Letras)
À beira do rio Tejo, em Portugal, um menino vai pescar e fisga um enorme peixe, que arrebenta sua linha. Essa memória de infância do autor português é o ponto de partida da história.
Ilustrações: Manuel Estrada

10. Jorge Amado
Fábula sobre o amor impossível entre um gato mau humorado e uma bela andorinha. O autor escreveu a história por causa do aniversário de um ano de um dos filhos e não tinha intenção de publicá-la.
Ilustrações: Carybé
11. Anton Tchékhov
Cachtánca (Editora Globinho)
Um dos mais famosos contos de Tchékhov ganha tradução de Tatiana Belinky. A cadelinha vira-lata Cachtánca, depois de se perder de seu dono, que a maltratava, encontra um novo lar que a acolhe. Cachtánca se encanta com a nova família, mas será que nunca mais vai matar a saudade de seu antigo dono?
Ilustrações: Rebeca Luciani

12. Paulo Leminski
O Bicho Alfabeto (Companhia das Letras)
Chuva, mar, céu, estrelas, pássaro… até japonês aparece homenageado em versos nesse livro. Tudo fruto das vinte e seis patas do bicho alfabeto nas mãos do talentoso escritor curitibano Paulo Leminski. Os poemas foram selecionados do livro Toda poesia, que reúne toda a obra poética do autor.
Ilustrações: Ziraldo
13. Julio Cortázar
Discurso do Urso (Record)
Uma reflexão cheia de humor e surrealismo (características das obras do escritor argentino) de um urso que vive nas tubulações de um prédio e conta, em primeira pessoa, o cotidiano e curiosidades das pessoas que ali moram.
Ilustrações: Emilio Urberuaga

14. Carlos Drummond de Andrade
Rick e a girafa (Editora Ática)
O livro reúne 29 histórias curtas e divertidas escritas por Carlos Drummond de Andrade. No conto infantil ‘Rick e a Girafa’, Drummond conta a história de Rick, um garoto que sonha em viajar no lombo de uma girafa, com uma narrativa agradável como só um grande poeta como ele poderia escrever.
Ilustrações: Maria Eugênia
Com organização de Carlos Felipe Moisés, ‘Poesia faz pensar’ mostra o lado poeta de Carlos Drummond de Andrade e prova que poesia pode, ao mesmo tempo, ser uma leitura leve e reflexiva. O livro traz ainda outros representantes da poesia em língua portuguesa, desde o século XVI até o presente, como Luís de Camões, Olavo Bilac, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes e Mário de Andrade.

Crônicas 1 (Editora Ática)
Em ‘Crônicas 1’, da coleção Para Gostar de Ler, você pode descobrir a vertente cronista do mineiro Carlos Drummond de Andrade. A autor é acompanhado por outros três grandes cronistas: Rubem Braga, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos.
(Autora: Adriana Nogueira)
(Fonte: educarparacrescer.abril.com.br )

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sementes para pais e educadores...

A infância é o melhor tempo para semear. 
Você é o jardineiro. 
Cuide bem de seu jardim, afinal você vive nele.

http://alexaguerra.blogspot.com.br/



terça-feira, 2 de maio de 2017

Mensagem para dia das mães.

MÃES E FLORES.


Já notou como associamos mães com flores?
As mães são como as flores: perfumam, embelezam, anunciam a vida!
As mães como as flores: são sensíveis e ao mesmo tempo resistentes.

Algumas estão firmes realizando a sua missão de gerar e manter a vida!

Infelizmente, outras mães estão murchas, ressecadas, esgotadas...

Estão desanimando, e colocando em risco os frutos...

Já pensou se as flores se cansarem de serem flores?

Todos os frutos, perfumes e belezas estariam ameaçados!
Se as mães desistirem... Toda geração estará condenada ao sofrimento, ao esfriamento, ao fracasso.
Algumas mães já desistiram: de amamentar, de proteger, de elogiar, de corrigir, de criar, de se dar...
Preciosa mãe: não tenha medo! Pois o seu Criador, O SENHOR Todo Poderoso, será o seu marido e o seu Salvador!
O SENHOR Deus te diz: “O meu amor por você não acabará nunca, e a minha aliança de paz com você nunca será quebrada.” Isaías 54:10.
Volte-se para Deus, como as flores buscam a luz!
“Mudem sua maneira de viver e abandonem seus maus pensamentos.” O mau envenena a alma.
Você vale muito mais que as flores.
Mãe, não desista!
Seja como as flores! Embeleze seu jardim, independente de como esteja o solo.
Pois não há esperança de vida sem vocês!
Não posso imaginar o mundo sem mães, que desempenham o seu belo papel.
Assim como não posso imaginar o mundo sem a riqueza das flores, pois são elas que asseguram a reprodução da espécie.

Por: Alexandra Guerra -> http://alexaguerra.blogspot.com/

sábado, 25 de março de 2017

Páscoa é abnegação.


Sua proposta de vida não foi atendida por muitos.

Condenaram este homem e crucificaram-no ignorando os seus propósitos para um mundo bem melhor.
Houve dor, angústia e escuridão.
Por três horas o sol se recusou a brilhar, a lua se negou a iluminar a Terra... 
 Até que ao terceiro dia a vida rompia e abria o caminho que Ele anunciou.
A páscoa existe para nos lembrar deste momento inigualável chamado ressurreição.
Resultado de imagem para correntes quebradas libertaçãoRessurreição da alegria de viver, da bondade, do amor.
Ressurreição da amizade, da vontade de ser feliz.
A Páscoa é a comemoração de uma verdade que não é anunciada pelos ovos de chocolates e dos coelhinhos da páscoa:
Cristo morreu e ressuscitou.
Ele nos ensina a valorizar nossas virtudes e a ressuscitar sonhos já foram enterrados no íntimo de nossos corações.
Que nossa páscoa seja celebrada diariamente, que possamos encontrar em nós e ao nosso redor - amor, tolerância, compaixão, paz, fraternidade, companheirismo, porque isso sim, é o verdadeiro sentido da Páscoa.
Em uma palavra? Abnegação: que significa a renúncia espontânea do interesse ou conveniência própria. Para que assim, de mãos livres possamos abraçar o outro, em seu benefício e não em nosso apenas. É difícil, mas podemos conseguir! Você quer deixar suas mãos livres?

Feliz Páscoa!
Alexandra Guerra. (http://alexaguerra.blogspot.com.br/)

sábado, 18 de março de 2017

"Pai, ninguém pode suprir sua falta."


"Preencha a vida dos filhos com a profundidade do amor e proteção que somente um pai pode oferecer. Pai, ninguém pode suprir sua falta." Alexandra Guerra. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Não eduque seus filhos pelo que você vê no Facebook É muito fácil viralizar informação duvidosa sobre a educação das crianças

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/10/internacional/1489161790_174837.html
Peppa Pig causa autismo. Quem está dizendo é a Universidade Harvard, segundo um site espanhol chamado Por Qué No Se Me Ocurrió Antes. A notícia, segundo essa versão, teria sido ocultada “devido à popularidade do programa, mas a Internet ajudou a difundir seus resultados”. Mais de 629.000 pessoas compartilharam no Facebook.
Você é daqueles que acalmam os filhos com um tablet? “Pode causar um dano irreversível a eles”, diz o centralinformativa.tv, numa notícia que teve 947.000 interações no Facebook. “As crianças passam mais tempo brincando com aparelhos do que interagindo com pessoas”, lamenta o texto.
Em 2016, falou-se muito de notícias falsas na política. Mas, no Facebook, as de maior sucesso dizem respeito a um assunto mais delicado: nossos filhos. Uma seleção dos textos sobre pais e filhos mais curtidos e compartilhados no ano passado no Facebook mostra que a maioria deles tem um vínculo escasso com a realidade, embora sempre haja um professor ou universidade citados aleatoriamente para dar peso à notícia.
O estudo que acusa a Peppa Pig de causar autismo não existe, nem o pesquisador de Harvard que fez a descoberta. A notícia sobre os tablets traz uma visão enviesada e sensacionalista de um trabalho de Jenny Radesky, da Universidade de Michigan, que recorda como seu artigo na revista Pediatrics foi “confundido com um estudo” e “tergiversado como prova de que tablets e celulares danificam o desenvolvimento socioemocional das crianças”.
Quando alguém adapta um estudo com o objetivo de viralizá-lo, há muitos outros links que pegam carona na matéria principal. Os textos em espanhol costumam copiar um original em inglês. “Mães insuportáveis formam filhas bem sucedidas”, por exemplo, se baseia num estudo da Universidade de Essex que saiu inicialmente no jornal britânico Daily Mail. A autora, Ericka Rascón Ramírez, lamenta o enfoque: “Infelizmente o Daily Mail interpretou mal a maioria das minhas conclusões”. O original falava em “nagging mothers” (mães insistentes). Quando chegou ao espanhol, as mães já tinham virado “insuportáveis”. Rascón Ramírez dá por perdida a batalha contra a viralidade – “Outro dia vi algo em sueco”, conta –, mas aproveita para esclarecer o que queria dizer no seu trabalho: “Falo de pais, não só das mamães. ‘Insuportável’ significa dar bronca, e não é assim. O estudo conclui que os pais com altas expectativas para seus filhos são os que mais investem em seu capital humano, os que mais falam e mais se envolvem”, diz. Desse “falar com eles”, o Daily Mail – sem jamais ter entrado em contato com Rascón Ramírez – passou a um adjetivo novo para o seu título, com mais pegada. Daí para viralizar era um passo. A verdade se perdeu pelo caminho.
A matéria em espanhol sobre as “mães insuportáveis” tem mais de 1,5 milhão de interações no Facebook. Para fins de comparação, no último ano em todo o mundo apenas quatro notícias com a palavra “Trump” superaram essa cifra, segundo o Buzzsumo. O The New York Times não teve nenhuma notícia com mais de 700.000 interações no último ano.
A mesma notícia com outro título fez menos sucesso: “Seus filhos têm mais chances de serem bem-sucedidos se você for uma mãe que pega no pé” teve apenas 243.000 interações. O título é crucial para conseguir tráfego, já que é o que se compartilha. Por isso, costuma ser forçado para gerar mais cliques: “O mau humor do pai causa problemas no desenvolvimento emocional e cognitivo dos seus filhos” – algo quase lógico. A armadilha é que “mau humor” na verdade se refere a “quadro depressivo”, enquanto “pai” deveria ser “pais”. Teve mais de meio milhão de interações.
Um bom viral precisa contar aos pais o que fazer e o que temer, não coisas vagas. Mas no mundo real é difícil averiguar quais fatores são relevantes.
“Crianças mais respondonas serão adultos bem-sucedidos, revela um novo estudo”, diz um textocompartilhado mais de 445.000 vezes. Mas o único “estudo” citado é a opinião de um psicólogo, Kelly Flanagan, que fundou uma associação chamada Clínicos Artesãos Unidos. As mentiras e exageros podem afetar marcas: “KINDER OVO É CANCERÍGENO, você está MATANDO SEUS FILHOS por um brinquedinho!” – o que na verdade seria algo muito mais matizado e complexo. Ou que, na hora de dormir, “psiquiatra demonstra que crianças que se deitam tarde sofrem mais transtornos”. O psiquiatra é o brasileiro José Ferreira Belisario, que escreveu um livro sobre saúde em 1963. O texto se atreve com frases específicas: “O hormônio do crescimento começa a agir à 0h30, na quarta etapa do sono”.

A ciência não costuma ser tão definitiva

Os estudos científicos quase nunca produzem manchetes tão boas. São mais precavidos. As notícias falsas sobre educação são alvo de inúmeros lamentos de cientistas cuja prudência foi destruída por uma boa manchete. Assim parecem se formar a sabedoria popular e os preconceitos. Um bom viral precisa contar aos pais o que fazer e o que temer, não coisas vagas. Mas no mundo real é difícil averiguar quais fatores são relevantes. O que importa mais na educação de uma criança? É dificílimo isolar apenas o fator tablet na educação e compará-lo com os outros. Muitas condições se dão simultaneamente: as crianças se distinguem pelo tablet, mas também por seu colégio, porque são filhos únicos, pela lactação, pelo bilinguismo, ou pela renda de seus pais.
Também se exagera no efeito de cada decisão. De pouco importa o fato que seus filhos verem Peppa Pig ou não. Aqui, entra em jogo o efeito foco. O vencedor do prêmio Nobel e professor de Princeton Daniel Kahneman explica assim: “Nada na vida é tão importante quanto lhe parece quando está pensando naquilo”. Ou seja, exageramos o peso do que temos na cabeça. "Isso não significa que as coisas verdadeiramente importante não existam, mas sim que coisas sem importância nos parecem importantes quando pensamos nelas", acrescenta. E os pais costumam pensar nessas coisas.
Kahneman explica com um exemplo: a educação é um dos fatores que melhor servem para prever o salário de uma criança quando adulta, mas explica apenas 10%. Se todos os jovens recebessem exatamente a mesma educação elitista das crianças ricas, a desigualdade de renda continuaria sendo enorme. Os outros 90% dependem de outras coisas além da educação, como a renda dos pais, o bairro onde eles cresceram. O fato de um garoto pobre nascer em Seattle, por exemplo, aumenta em 15% o dinheiro que ele ganhará quando for adulto.
Na educação dos filhos, acontece algo parecido: depende de mil coisas. Sobre celulares e tablets, por exemplo, "no fundo sabemos muito pouco, e por enquanto não é o suficiente para dar recomendações assertivas", diz Octavio Medina, economista e coordenador de Educação do Politikon.

Por que são virais

Por que compartilhamos como loucos essas notícias? Elas aproveitam as fraquezas humanas: nos fazem ficar bem, dizem coisas bonitas de nós, oferecerem uma sensação de controle e aplacam nossos medos.
São notícias selfie: colocá-las no Facebook é uma atitude que fala de nós, e nós somos preocupados com a imagem que transmitimos.
A sensação de controle elimina a ansiedade: se expulsamos a Peppa Pig de nossa vida e diminuímos os minutos em que nossos filhos usam o tablet, a educação dos filhos irá bem. Como relaxa pensar isso, mas não é verdade. O caos de mil fatores descontrolados e que não dependem de nós continua existindo. Por isso, a viralidade funciona bem com a educação. Muitas coisas ainda precisam ser confirmadas e isso afeta continuamente nossas decisões sobre talvez o ponto mais sensível de nossas vidas: os filhos. "As possibilidades de escrever matérias virais são infinitas", diz Radesky.
Outras são notícias selfie. Colocá-las no Facebook é uma atitude que fala bem de nós mesmos, e nós nos preocupamos em ter uma boa imagem. Não compartilhamos links pensando apenas se eles podem ser úteis para outros amigos. Também o fazemos por eles refletirem nossas ações como pais: se publicamos algo sobre o uso excessivo de tablets, significa que fazemos o sacrifício de estar com nossos filhos, e que não somos como os outros, que abandonam as crianças na frente da tela. Se a tese do texto é verdadeira ou não, importa menos.
É assim que a viralidade joga com nossos sentimentos. Com técnicas genéricas: mentiras, exageros e títulos chamativos. "Não surpreende”, diz Radesky, “que as 'notícias falsas' se aproveitem de constranger os pais, do culto da maternidade intensiva e de interpretações dramaticamente incorretas de estudos".

A desigualdade é chave

Os cientistas apontam um elemento que afeta o futuro das crianças: a desigualdade. "Há muitas pesquisas que indicam que há uma desigualdade de oportunidades, de acordo com a origem social: os filhos de famílias com mais recursos têm mais sucesso escolar e no trabalho", diz Leire Salazar, professora da UNED. Os tablets ou o rigor da mãe são uma parte pequena diante deste fator, que realmente importa. Um exemplo: na Espanha, um jovem de 15 anos de uma família pobre tem uma possibilidade cinco vezes maior de repetir o ano, mesmo que ele tenha a mesma capacidade matemática, e de ler e escrever que os demais.
As famílias de classe média criam seus filhos de uma forma que lhes proporcione as habilidades para continuarem sendo classe média. "Não é o fato de passar muitas horas na frente da TV que vai atrapalhar o seu futuro, se por outro lado você tem várias oportunidades", diz Salazar. O fato de seus filhos verem desenhos animados importa pouco, desde que você leia para eles, fale com eles na hora do jantar, use um vocabulário variado, deixa eles irem para um acampamento ou passe mais horas cuidando deles.
A professora Tinca Polderman, da Universidade Livre de Amsterdã, reuniu na revista Nature as conclusões sobre o que influi na educação: "Há duas coisas importantes para o desenvolvimento de uma criança: os genes e o ambiente. O ambiente familiar tem uma influência especialmente grande quando é um ambiente prejudicial", afirma. Nos casos de famílias mais estáveis, o impacto de tablets, aulas extra-escolares e horas no videogame é menor, segundo Polderman: "As diferenças em crianças que crescem em famílias ‘normais’ é mais devida à genética e a experiências únicas, não a seu ambiente familiar".

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